Friday, September 14, 2018

Post em português, conflitos.

Portugal não é um país de conflitos.
Ou pelo menos não é um pais que goste de se representar como tal. O meu país é, sempre foi, e cada dia está a dar-me mais desgostos. Mas não é de Itália que vou falar hoje. Pago aqui os meus impostos, os meus filhos crescem aqui, mesmo que o meu português ainda não esteja tão bom como o da maioria dos portugueses.
Aqui, na TV, de vez em quando, vemos a Assunção a dar-lhe nas orelhas ao António e ele minimizar assim-assim, ou algum bastonário ou sindicalista estar mais ou menos aborrecido com este ou o tal corte ou adiamento de subida das carreiras (mais um).
Finito.
Ninguém, em Portugal, se chateia mais.
Isto toca em mim profundamente a todos os níveis.
Desde logo é muito frustrante, porque eu me chateio e deveras muito. Sobretudo quando tenho que ir tratar de papeladas.
Nunca-mas-nunca recebo a mesma informação se eu tiver a mesma perplexidade duas vezes.
Nunca-mas-nunca consigo ter um papel direitinho à primeira.
Sina, Fado, falta de jeito meu, talvez. Mas falando com vocês se calhar não é bem essa ultima hipótese.
Vocês também sofrem! Eu oiço-vos.
Faço um exemplo.
Agora, não sou jornalista. Uma vez quis e até fui durante um bocadinho em Itália. Depois aconteceu a vida e deixei-me disso, mas fiquei com a ideia das dinâmicas de uma redação.
Então, poxa, deve haver algum jornalista-mãe ou pai que agora está a lutar com a cena dos manuais escolares "gratuitos" (ya, porque se tiveres que os devolver no final do ano, não são gratuitos, são emprestados). Ou algum jornalista amigo de alguém que esteja a levar com isto. Alguém que em reunião de redação diga: "hey! porque é que a gente não faz uma bela reportagem sobre esta ganda salganhada?!!"
Certo? Bem, devo andar muito despassarada mas ainda não li, nem vi nenhuma reportagem aonde se conte o que se esta a passar como deve ser.
Como é possível? Encontrei algumas listagens do que não está a correr bem, das queixas que há para com a plataforma MEGA e tal (aqui). Mas ninguém que me explique o porquê?
Porquê a pouquíssimos dias do inicio da escola ainda há toneladas de miúdos por receberem os livros?
Porquê há escolas a emitir vouchers se estes deviam ser emitidos pela plataforma?
Porquê nas escolas não há gente informada o suficiente a atender os pais/alunos?
Porquê ninguém atende aos telefones!?
Porquê se as escolas podem emitir vouchers depois estes podem ser anulados pela plataforma?
Porquê se as escolas emitem os vouchers estes até podem vir para livros que não constam no programa?
Porquê há pais com NIF confirmado com a escola a receberem os vouchers por email, pais que não confirmaram a receber o email para levantar os vouchers na escola e pais que não receberam um "cazzo di niente", nada?
Aonde é que está o nó dos erros deste sistema?
Eu queria saber. Porquê não me contam?
Será mesmo que antes de saber essas coisas todas, o que não funciona no país, nós povinho, gostamos de saber da feira da cataplana de porco na santa terrinha à beira rio?
Será que tenho de ouvir em loop o que se passou com a Serena Williams a sua linda raquete em cada edição do jornal mas haver um follow up disto, nada?
Porquê?
É que, realmente, o telejornal português nunca mais acaba! Há tempo de antena para todos os gostos!
Amigas e amigos, digam-me, porquê? A serio. Tenho um profundo interesse até antropologico nisto, não estou a brincar e não me levem a mal. 
Vinda de um país de guerras e polémicas para tudo e mais alguma coisa, se na carbonara vai o "guanciale" ou a "pancetta" (mas não, natas *NUNCA*), eu não entendo porque os conflitos deste pais, que existem, caramba, são tão pouco noticiados.

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