Sunday, February 21, 2021

Custa, mas é bonita

No outro dia estava solinho, finalmente e novamente. Saímos de passeio higiénico. Com a chuva e os miúdos não conseguimos todos os dias mas, quando dá, esticamo-lo e esticamos-nos um bocadinho ao sol. 
Bicicleta para um, flores e "totta" (bolo) de relva para a outra. A mais velha tem mais que fazer, embora não goste que fique tanto tempo em casa.


Nessa tarde, às 18, ia haver uma manifestação, de panela à janela, pela reabertura imediata das escolas. 
"Já" dizia perentório o flyer que recebi, assinado por ninguém.

Já estou cansada de guerras entre pais, divididos entre clubes da "escola aberta" e da "escola fechada". Já estou farta de ser colocada num saquinho ou no outro, dependendo da frase que me parece certa, nesse instante, proferir. 
Já disse muita coisa, como que ninguém se esforçou o suficiente, fora @s professorƏs e @s auxiliares que, no âmbito das suas funções e do que lhes foi fornecido, deram os litros todos que havia para dar para que as escolas não fechassem. E ainda estão a dar.
Mas a escola não é um elemento isolado da comunidade em que se encontra.

Já me parece evidente que o que fica por fazer está entre o "já" e o "jamais".
É o "sempre".
Sempre foram e serão precisas turmas pequenas, para uma didática mais humana e para favorecer a inclusão e o sucesso escolar. 
Sempre foram e serão necessárias escolas com (acesso a) amplos espaços para respirar e experienciar o verde. 

É sempre precisa uma aldeia para crescer uma criança.
É sempre preciso dinheiro para pôr comida na mesa e seria preferível que o Estado pagasse por serviços fornecidos entre membros de uma sociedade em vez de dar guito a fundo perdido (pelo menos parcialmente).
Sempre devíamos participar na nossa comunidade. 
Não existe só o trabalho ao qual correr, quando os putos estão na escola.

É o "agora".
É agora que parámos que temos a possibilidade de reformular o nosso "viver para trabalhar' e virar o leme para o "trabalhar menos, trabalhar tod@s".
Como com a emergência climatica, é agora que as coisas que sempre foram tortas se podem endireitar. 
São necessárias fantasia e constância.
A luta requer isso. 
A luta custa mas é bonita.

(É agora o nunca.)

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