Wednesday, March 18, 2020

Um conto sem muita imaginação

Um dia, um avião cai. É verdade, atravessou uma tempestade, mas de levíssima magnitude. Ninguém pensava tal podesse acontecer.
O mundo interroga-se: será que a culpa não é da tripulação, que não estava preparada para enfrentar essa perturbação?
Ninguém percebe muito bem. Mas acontece que pouco depois, daquela companhia, começam a cair mais e mais aviões, com toda a carga humana.
O mundo interpela-se: pelas barbas de Neptuno, será antes falha de toda a companhia aérea?
A companhia aérea, em comunicado, admite que há uma grave falha na construção da peça XYZ do motor, saídos da fábrica a partir de novembro. A informação demorou a sair pois quem produz a peça é uma empresa do mesmo grupo, assim que o resultado do estudo teve de passar por muita análise interna. Sabem como são essas coisas, não sabem?...mas para salvar vidas é necessário parar em terra todos os aviões que, no mundo, estão a voar com essa peça.
Questão de tempo e esses aviões também cairão.

Por cá ninguém acredita, esses aviões continuam voando, pois quem sabe, essa informação não pode ser verdadeira, vinda de uma companhia tão pouco fiável. Ninguém para porque há o mercado. Há o turismo.

Poucas semanas mais tarde, os aviões começam a cair na Europa também: 150, 250, 350 vítimas cada dia. Antes duma companhia, a primeira a adquirir as peças desse lote, mas depois doutras companhias também.

Por aqui, rabinho de Europa, vivendo de turismo, somos os últimos em parar. As instituições dizem que também em guerra caiam aviões.

***Inspirado em eventos recentes e na realidade de hoje***

#lockdownportugaljá
#covid19
#turismodeportugal
#coronavirus

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